Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Maio 30 2010

Obrigada Senhor por mais um dia

Por esta angústia que me rouba a alegria

Mas que me faz crescer.

 

Se me olho ao espelho não me reconheço

Sou tudo o que ele diz, e o que não pareço

Porque a minha alma chora para dentro.

 

Das árvores verdejantes, quero a esperança

Duma primavera ornada de cor,

Dos pássaros as asas e o canto em hinos de amor,

Do céu azul o manto com anjos transparentes

Onde meu olhar cansado possa repousar.

 

No quarto sozinha Contigo cruzo meu olhar

Tu vens, me acalmas, me abraças, secas meu pranto

Como Cireneu levas minha cruz que pesava tanto.

 

Neste frio de arrepio que me enregela o coração

Tenho o calor dos bons amigos que me deste por bênção.

Com eles cresço, vivo, canto, dou graças

Enquanto rezo minha oração.

 

Depois, baixinho, no silêncio das horas

Bates-me à porta. Deixo-te entrar com a tua graça

E Te interrogo: “Senhor, Senhor que queres que eu faça?”

 

13/12/09

 

Donzília Martins

Postado por Liliana Josué

 

 

 

 

publicado por cantaresdoespirito às 23:40

Maio 16 2010

De alegria, de emoção, de dor e evasão.

Um lavar de alma, uma descompressão.

Um rio de sódio a sulcar o altar da tua boca

Em lacrimosos círios de amor.

Uma gota de chuva pendurada no beiral da ansiedade

Qual mar de infinitos sulcando a distância

Nas ondas do mar naufragado.

Uma saudade às pedras lavadas, da rua da infância.

Uma lágrima!!!

Num abraço afagado, num beijo molhado,

Pedaço de nuvem voando no espaço intemporal,

Uma flor pousada em teus lábios espargindo perfume,

Uma rosa a florir do teu seio o ciúme.

Uma barca vogando no azul com estrelas dentro

Enchendo de lágrimas o mar.

Um som, um cântico, um poema,

Uma mão acesa na luz do luar

Da tua lágrima para o meu olhar.

Geladas algumas. Frívolas outras. Quente e rubras, tantas!

Toda a dor as solta ao vento,

Todas trazem um lamento, ninguém as quer apanhar.

Sobem e voam! Dispersam-se nos espaços siderais

Ao encontro do sol. Ele as queima e as bebe em ecos de ais.

São mães da dor, filhas do amor…

Depois, em grinaldas de esplendor as estrelas se apagam

Numa explosão de sal e sombra.

As lágrimas!!! Bebe-as. Não as seques.

Elas precisam correr na tua boca.

 

Póvoa 7/07/09

 

Donzília Martins

Postado por Liliana Josué

 

 

publicado por cantaresdoespirito às 21:32

Maio 14 2010

O tempo! Queria apagar o tempo! Recomeçar

Para apagar as palavras vazias que foram ditas

Vincar os momentos felizes nas escritas

Dum poema maior, para no fim poder cantar.

 

Ontem cada palavra foi um grito

Cada gesto, espada ao vento,

Cada segundo perdido em lamento,

Lancetando o pensamento.

 

Perscruto o teu olhar, o teu dizer,

Cada palavra que de ti vem,

Cada destino dos teus passos, dos abraços

Que nos teus braços ficam parados também.

 

Na ambiguidade de todos os cansaços

Perdida a essência dos desejos

Espalhados ao vento, à procura de beijos.

 

Neste vazio de dias, vivemos cansados

Na ânsia dos abraços e dos sonhos

Pendurados na eternidade das horas.

 

É urgente, todo o tempo do amor.

É tempo de rir, cantar, amar, sorrir, e sonhar os sonhos.

Agarremos o tempo. Não o desperdicemos.

O tempo é agora

Este tempo! Não o deixemos ir embora.

 

4/12/09

 

Donzília Martins

Postado por Liliana Josué

publicado por cantaresdoespirito às 00:17

Maio 05 2010

 Há páginas no livro da minha vida que queria arrancar

Para sempre…

De algumas mal vejo as letras apesar de gravadas a fogo

Tão difusas e gastas de as ter amaciado nos dedos com o meu olhar.

Na penumbra bailam, ressuscitam,

Mas o sopro da brisa em que embrulho a alma

Varre, sacode, agita e as águas do mar, bebe-as lá longe.

Esse mar que foi delas, crescido de lágrimas

De suspiros, de vazios, de angústias e suor

Volvi-o no tempo e dele fiz caminhos de amor.

Para sempre

Os quero agora gravar na minha alma

Feita de lírios perfumados,

De rosas encharcadas de cor,

De caminhos sonhados, de madrugadas vestidas de alvor.

Para sempre…

As lindas histórias de encantar,

Os verdes da infância, os enleios de criança,

As lembranças maravilhosas das encarnadas rosas

Vertidas no chão em clarões de paz.

Para sempre…

O fogo crepitante da lareira, a candeia acesa, a sopa na mesa,

Os sonhos tecidos nas asas do imaginário e da vontade.

Para sempre

Nunca é tarde agradecer-Lhe o caminho escrito e ler Felicidade.

 

16/11/09

 

Donzília Ribeiro Martins

Postado por Liliana Josué

 

 

publicado por cantaresdoespirito às 00:46

Março 06 2010

 

Se fosse apenas

O sopro dos teus beijos

O ar da nossa casa, uma esquina do tempo,

O perfume das rosas espalhadas no quintal,

Eu seria asa.

Se fosse apenas

A sombra do orvalho matinal,

Um raio de luar no transparente vitral,

A luz que acende o horizonte,

Eu seria caminho.

Se eu fosse apenas

Dos teus olhos água,

Dos ribeiros espelho e luz,

E recolhesse no peito todo o verde azul do mar,

Eu seria fonte.

Se fosse apenas

A palavra escrita na virgem folha branca,

Um sopro de vento a cantar a alvorada,

O vegetal segredo do papel,

O sono das folhas outonais a chorar a despedida,

Eu seria vida.

Se fosse apenas

Um canto de pássaro pousado no laranjal,

O rio de lágrimas paradas no meu peito,

O ondulado azul das nuvens de renda branca,

Eu seria poema.

Mas não sou nada!

Nem asa, nem pássaro, nem rio, nem fonte,

Nem clareira no horizonte,

Nem azul do mar nas ondas carpindo penas.

De tudo o que guarda o meu olhar

Sou sonho apenas.


 

18/10/09

Donzília Martins

Postado por Liliana Josué


 


 

publicado por cantaresdoespirito às 19:55

Fevereiro 06 2010

Ainda um dia hei-de abrir o sol

Rasgar a angústia, matar a solidão.

Quero ouvir cantar os pássaros

Cheirar a Primavera,

Sorver o perfume das ervas verdes

Voar nas asas das andorinhas.


 

As horas mortas, tão longas, só minhas

Hei-de lançá-las ao vento

Cristalizar nas ondas do mar o pensamento

Voltar a ser eu no meu sonhar

E gritar toda a luz do meu olhar.


 

Os medos, um dia rasguei

Depois sorri e cantei.

Ainda um dia hei-de explicar-te a minha dor

Caminhar contigo mão na mão

Abrir-te as portas do meu coração

Para nele leres todo o amor.


 

Hoje ainda não. Quero beber teu calor

Abraçar a vida, todo o instante, agora

Não vou deixar que o sonho vá embora

Ainda não é tempo! Ainda não é hora.


 

28/11/09

Donzília Martins

Postado por Liliana Josué


 

publicado por cantaresdoespirito às 22:44

Novembro 06 2009

Mundo que se abre!

Olhos que parecem águias a voar por cima dos cumes,
Veios ziguezagueantes riscando a montanha!
E o mundo parece maior!
 
De lá de cima vemos o infinito dos picos a tocar o céu...
Sobe, sobe, e a colina espreita a furar o chão da rocha negra.
Imponente o altar!
 
As sombras do fim da tarde dão-lhe tons de mágoa,
Suspiros de solidão, brisas de ondas perfumando a fraga.
Perante e imensidão somos uma gota de nada!
Um fio apenas ligado à corrente que nos leva serra acima
à luz da claridade.
 
Lá chegados o branco tece uma tela bordada
de pedaços de tule rendados com laivos de eternidade.
O tapete é único. Flor de neve ar fresco e puro
enchendo o peito de alvura.
A brisa gelada talha infinitos na paz da altura.
 
Na leveza estonteante o sol desce agonizante
pintando o cimo da serra com tons de fogo ardente.
Ali mais nada se sente!
A não ser a cor perdida pela noite que baixou.
Nosso olhar para trás ficou pendurado na beleza
Tal como a estrela da serra que encantada ali parou.
 
Aqui tudo começa:
o dia que resplandece, o fogo que a aurora tem,
a noite que cedo desce, o silêncio que estremece e o eco que vai e vem.
No murmúrio das águas paradas nas lagoas Escura e Comprida
Recolhemos as lágrimas dos mantos brancos de ternura e vida.
 
Daqui abraçamos o mundo tão vasto e profundo nas paisagens do amor
Aquele frio é calor que penetra o coração,
a estrada é linha traçada em melodia e canção.
Sem cor nas palavras o silêncio fala, o poema cala
para ouvir a voz do vento...
Tudo ali é eternidade , espaços floridos sem tempo...
A neve que do céu cai são flocos de quimera
a alindar a ternura duma nova Primavera.
 
Donzília Martins
22/02/08
publicado por mariaivonevairinho às 18:14

Maio 25 2009

Maré parada


Quando te olho
o teu olhar fica mais azul
porque o pinto de céu e de mar
com mil oceanos dentro.

As pupilas aureoladas de neve
são barcos navegando
num curvilíneo horizonte
onde as águas pararam.

Entro para boiar na onda que passa.
Trémula, cintila, brilha, e reflecte o infinito
escondendo no meio do silêncio
as palavras que não ouço mas desejo.

Então, solto o coração e na lágrima  represa
da maré parada, pouso um beijo.


Donzília Martins
9/02/08

publicado por appoetas às 04:26

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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